sexta-feira, julho 01, 2005

Aprender a amar

Definitivamente este blog já substituiu o meu "diário" que tantas vezes serviu para os meus desabafos e momentos de inspiração. Este é um desses momentos, o momento em que acabei de ver o grande filme "África Minha" pela 4ª vez. Tal como das outras 3 vezes, o filme surpreendeu-me no final. Esqueço-me sempre de como o filme termina e dou por mim a abrir a boca de espanto ao (re)ver a morte de um dos protagonistas .
É muito interessante ver o quanto nos apegamos às coisas e às pessoas na nossa vida. Ilusão, nada mais do que uma ilusão. Não temos nem possuimos nada e, contudo, a nossa sociedade baseia-se nisso mesmo, na ilusão do "ter". Para além de procurarmos obter as coisas mais supérfluas, queremos ver, por exemplo, os animais no zoo, mas para isso temos de os capturar e encurralar. Queremos ser pedidas em casamento pois temos a ideia falsa de que adquirimos estabilidade e podemos relamente "ter" e "ficar" com alguém. Queremos ainda ser amadas como amamos, receber o que damos e estabelecer uma relação de dependência com o outro. Que parvoíce! Ou talvez não... Não é isso que acontece sempre?
É difícil aceitar e partilhar a nossa vida com alguém que é independente, que nos ama mas também ama outras coisas da vida, que tem tempo para nós e para muito mais. Mas nós só queremos impor o nosso desejo ao outro, queremos limitar e interferir com a liberdade do outro. Assim, estamos a matá-lo, a matar a sua alma, a sua personalidade e tudo o que há de mais verdadeiro nessa pessoa pela qual nos apaixonámos. E, num abrir e fechar de olhos, podemos perder tudo, a casa, o dinheiro, a saúde, as pessoas mais chegadas.
É complicado aceitar e por vezes renunciar ao amor só porque não se correspondeu aos nossos desejos. Desiste-se tão facilmente hoje em dia. As saídas são tantas que nem nos damos ao trabalho de nos esforçarmos por uma relação, de nos adaptarmos, de tentarmos ver o ponto de vista do outro. Actualmente as relações são mais baseadas em prazeres momentâneos do que em algo mais duradouro. É pena! Deixámos de aprender com os outros.
O filme demonstra isto tudo e muito mais. Para além dos encantos naturais de África, são-nos apresentadas duas formas de amar: uma bastante possessiva e outra mais aberta. O final da história demonstra, a meu entender, que quem acaba por "ter" e "ganhar" é quem nunca se apegou, quem ama tudo e vive o presente. Gostaria de conhecer alguém assim , nem que seja para aprender a ser livre dessa forma.
Sem dúvida nenhuma que viveríamos mais felizes, se amássemos de verdade e não apenas uma parte da vida mas tudo o que nela existe. Certamente seríamos mais ricos e sentir-nos-íamos mais completos.

4 Comments:

At 3:07 p.m., Anonymous Anónimo said...

Uma palavra deste velho Cavaleiro: quem não se esforça, não ama. Quem Ama dá a vida. O que há é falta de amor. A paixão não se compra ou troca, vive-se, sente-se e dá-se.

 
At 11:37 a.m., Anonymous Anónimo said...

Plenamente de acordo, nunca devemos tentar mudar ninguém, cada pessoa tem a sua própria maneira de ser tal como nós e não gostamos que nos tentem mudar.Quanto às imagens em movimento são colocadas numa célula que é inserida no template, não fui eu quem colocou, pedi ajuda. Bom começo de semana, Até sempre

 
At 8:43 p.m., Anonymous Anónimo said...

Infelizmente digo mais: para quem já amou, e aquilo que obteve da outra parte não foi decerto esforço, fica eternamente magoado, especialmente se em toda a sua vida as coisas têm corrido dessa maneira com várias relacções, então, assim fica difícil voltar a acreditar que se consegue amar e ser amado. Tem de se voltar a aprender a amar, o que acho que é um pouco que as pessoas precisam : aprender a amar.

 
At 9:59 a.m., Anonymous miguel dias said...

"As mais lindas frases de amor são ditas no silêncio de um olhar. "

 

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